Eu só queria fazer a diferença por pelo menosuma vez na vida…
(trecho de “Man in the Mirror”, do álbum BAD).
Enquanto a crítica especializada está atacando bombas e mais bombas na produção que narra a jornada do maior artista pop que tivemos, a visão dos fãs já é completamente diferente, o que tem gerado um balanço interessante na internet. Nesse post venho contar meus pontos de vista enquanto fã sobre o filme que assisti na estréia, então se liga nas próximas linhas.
Ah, e um adendo importante: a visão e os pontos citados nesta análise se referem mais a opinião deste que vos escreve do que o da equipe do Hanashi, logo, se você pensa diferente do que vai ler, seja respeitoso nos comentários, ok? Dito isso, bora para análise!
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Estrelado por Jaafar Jackson (sobrinho do MJ) como o personagem título adulto e a estrela mirim Juliano Valdi (como o Michael criança), o filme narra o início da carreira de MJ nos Jackson 5 ao lado dos irmãos, sua crescente popularidade e contempla as fases dos álbuns Off the Wall, Thriller e Bad, além das turnês Destiny e Victory (ao lado dos irmãos).
Além disso, o filme narra a relação conturbada de Michael com Joseph Jackson (seu pai, interpretado brilhantemente pelo Colman Domingo – que me fez passar uma raiva e xingá-lo várias vezes durante o filme) e a bonita relação de Michael com sua mãe, Katherine (interpretada pela Nia Long, cujo trabalho de caracterização ficou sensacional e ela se mostrou sensível em seus momentos de destaque durante o enredo).
Desde pequeno, vemos Michael lutando para se provar para Joseph ao lado dos irmãos e como isso realmente o afetou… crescer num ambiente instável ao lado de uma pessoa narcisista e violenta realmente não é para qualquer um e desde pequeno, ele teve trabalho… ensaios estressantes, show atrás de show nos lugares mais extremos possíveis (de parques de diversões a casas de show adultas), as produções das músicas mais durante as eras e principalmente alguns percalços dessa época.
Também somos apresentados a relação de Michael com o produtor Quincy Jones (interpretado por Kendrick Sampson), o qual foi o homem responsável pela produção dos primeiros álbuns do rei – e a forma como é contado passa uma vibe de grandes amigos transformando a arte em algo extraordinário. A forte amizade de Michael com Bill (seu segurança particular, interpretado por Keilyn Durrel Jones) também é um ponto de destaque para mim, pois além de ser responsável pelo cuidado pessoal do artista, Bill pode ser visto como uma figura paterna de MJ, que o servia como conselheiro e quase um psicólogo.
A relação com os irmãos e uma das irmãs (no caso apenas a LaToya aparece no filme, interpretada pela atriz Jessica Sula) complementam a história, ainda que de maneiras rápidas. Ao lado dos irmãos, os momentos de destaque são quando estão no palco, em apresentações de canções icônicas como ABC, I Want You Back e I’ll Be There (essa em especial é uma das cenas mais legais na fase Jackson 5) e já com a LaToya é uma cena bem curtinha na fase do Michael adulto, interagindo com os bichos de estimação do irmão.
Um adendo importante sobre não termos a presença de Janet e Randy no filme: os dois irmãos de MJ não são citados e optaram por não participarem da produção por serem contra algumas questões do espólio do artista. Janet ainda apoiou o sobrinho Jaafar para dar vida ao irmão nas telonas, enquanto Randy não se pronunciou. Uma das justificativas para não haver sua participação é por conta do período que o filme apresenta (Randy só passou a cantar com os irmãos anos depois, na fase The Jacksons).
Os pets do Michael também são destaques dentro da história e servem como referência a momentos marcantes de sua carreira, como o macaco Bubble (que aparece nos clipes incríveis da era BAD: Leave Me Alone e Liberian Girl), a cobra Muscle, a llama Louie e sua girafa, além de seu rato, Ben (que para você que não sabe, foi quem inspirou a canção de mesmo nome, sucesso de MJ na época do Jackson 5).
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Um dos principais motivos de crítica desse longa é a forma como a história é conduzida: muitos críticos especializados tem o apedrejado decorrente do filme não narra os pontos baixos da carreira de MJ (como as polêmicas envolvendo crianças, durante anos 1990 e a questão das alegações de estar tentando se tornar uma pessoa branca). Em outras palavras: a mesma narrativa fomentada pela mídia no passado está sendo citada pelos próprios veículos como algo que poderia deixar a história mais crível.
No ponto de vista deste que vos escreve: creio que seria sim, interessante contar esses trechos, mas de forma a evidenciar a verdade e como foi torturante passar por todo esse inferno (que hoje sabemos como terminou, com o rei sendo inocentado, mas ainda sim, há quem acredite nessas inverdades). Todavia, creio que por uma questão de roteiro (e por ações do próprio espólio do artista), essas partes são sequer citadas no longa.
E digo mais, não ter esses baixos durante o longa não torna a narrativa cansativa… houveram outros pontos que foram citados durante a trama (que citei acima, como a relação de Michael com seu pai) que foram narrados de maneira exemplar: simples, sem precisar expor ou criar uma baita plot twist para explicar isso. E digo ainda mais: para quem conhece a história real (e até para quem não conhece), sabe que alguns desses tópicos podem gerar certo desconforto, logo, não estranhe caso você se sinta desconfortável nessas cenas.
Mas e a trilha sonora, hein… é Michael Jackson, gente e foi trabalhado com um primor tão maravilhoso! Grandes sucessos aparecem em performances incríveis (como Human Nature, uma das minhas favoritas da vida), de todas as eras que o longa explora (e cito novamente I’ll Be There dos Jackson 5, canção que anos mais tarde também seria marcada na voz de Mariah Carey – que me deixou emocionado demais durante o filme).
Já foi informado em entrevistas que durante as performances com banda, foi somada a voz de Jaafar com a voz do Michael, mas que em momentos a capella, Jaafar solta seu vozeirão e faz valer o legado de seu tio. E posso dizer, mais uma vez: o menino não brinca em serviço. Além disso, a trilha sonora é marcante em outros momentos, principalmente no que se refere aos atos de que Michael produziu ao lado de Quincy Jones e seus aliados nos estúdios.
Momentos que redefiniram o modo de se consumir música não ficaram de fora e são trechos do filme que foram muito bem contados… as produções dos clipes de Beat It e Thriller (do álbum Thriller), a luta pela divulgação de seu trabalho (e por consequência, de vários artistas pretos) na MTV (emissora que exibia, em sua grande maioria, apenas o trabalho de artistas brancos) e até mesmo as questões de turnê (como a Bad World Tour, sua primeira turnê mundial solo) são exemplos do brilhantismo e talento de MJ.
Michael foi realmente um artista a frente de seu tempo e o filme nos mostra bem isso… a construção de sua personalidade, desde as questões emocionais próprias (ser uma criança famosa que só queria ser uma criança e posteriormente um adulto comum), as relações familiares (que sempre foram uma marca importante de sua trajetória, como já citei anteriormente), seu lado artístico gigante e principalmente suas atividades filantrópicas (que são momentos singelos e bem explorados no filme, servindo referências a trabalhos futuros do artista como Heal the World e We Are the World) tornam a aura que rodeava o rei de uma forma única e especial.
Ainda sobre referências a outros projetos e canções que ficaram de fora: o filme também entrega, ainda que de forma singela… seja através da própria trilha sonora, seja por uma fala, uma ação ou até um objeto no cenário. Creio que a direção foi perspicaz nesse aspecto e isso, pelo menos para mim, garante mais pontos positivos para o filme.
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Caminhando para os finalmente, o filme nos mostra e comprova algo muito verdadeiro: Michael foi uma criança criada como adulto e se tornou um adulto que desejava viver o que sua criança não pode ser e isso é o que torna quem é. Ainda que sua infância tenha sido roubada por alguém que só desejava poder e grandeza, Michael não abaixou a cabeça e mesmo em momentos de dúvida, tristeza e dor, lutou para se tornar uma lenda. E posso dizer: ele conseguiu.
As pessoas que o conheceram alegam que ele fora da curva e de verdade (peço desculpas por parecer redundante com tanto elogio), Michael Jackson foi um dos maiores artistas que tivemos e me sinto feliz em poder conhecer sua obra e legado.
Corra para assistir o filme, se permita viver a experiência e esperar a segunda parte do longa (que já foi confirmada até a data de publicação dessa análise). Já tenho a minha lista pessoal das músicas que quero na trilha sonora da parte 2 (Dirty Diana, Jam, Earth Song, We Are the World), mas de verdade, quero saber o que você achou do filme… gosta do Michael, vai dar uma chance ao longa? Espero que minhas palavras até aqui tenham te atiçado curiosidade, viu!? Obrigado por ler até aqui e até a próxima!


Paulo Henrique
Paulo Henrique, ou PH, é cantor, escritor, cosplayer e criador de conteúdo, iniciando suas atividades em 2024.