A 3ª temporada provou que sem plot, até o glitter cansa

Estética 10, Coerência 0

Nos dois primeiros episódios da terceira temporada de Euphoria, a primeira sensação é bem clara: o tempo passou, muita coisa mudou… mas a série não faz muita questão de mostrar como chegou até esse ponto. A gente simplesmente cai nesse novo cenário e precisa aceitar.

A Rue, por exemplo, parece mais estáve (um emprego é um emprego)l, ou pelo menos menos caótica. Só que não é exatamente um crescimento que a gente acompanhou. Ela tá mais apagada, mais distante, quase no piloto automático. Não tem grandes explosões, mas também não tem muita profundidade nesse “novo estado”. E isso acaba afastando ela das outras pessoas, inclusive da Jules.

A Jules, aliás, entra numa das mudanças mais bruscas: agora ela tá envolvida trabalhando pra um traficante. É uma virada grande, cheia de potencial, mas que aparece meio do nada. Falta entender o que levou ela até ali, sabe? Fica mais como uma ideia forte do que como uma trajetória construída.

Enquanto isso, a Cassie leva o desconforto pra outro nível. Agora ela tá com o Nate,  que por si só já carrega um peso enorme, e continua completamente presa nessa necessidade de validação. Só que a série empurra isso ainda mais longe, tipo nas cenas das fotos vestida de bebê. A intenção parece ser mostrar uma regressão emocional, uma dependência extrema, mas acaba soando mais como choque do que desenvolvimento. Você entende a ideia, mas não sente que foi construída.

E o Nate segue sendo o Nate, mas de um jeito mais contido. Menos explosivo, mais frio. Ele ainda controla, ainda manipula, mas agora parece tudo mais silencioso, o que até poderia ser interessante, só que tira um pouco daquela tensão imprevisível que ele tinha antes.

A Maddy aparece mais independente, tentando seguir a vida, mas meio deslocada. E o mais estranho é a relação dela com a Cassie: depois de tudo, você esperaria um confronto pesado, alguma explosão… mas não. Fica tudo meio abafado, como se a série evitasse mexer nisso de verdade.

Já a Lexi ganha mais espaço, mas ainda parece meio sem direção clara. E sem o Fezco por perto (ou com essa ausência pesando), falta um vínculo emocional mais forte pra sustentar o arco dela.

No fim, esses dois episódios passam muito essa ideia: as peças mudaram de lugar, Cassie com Nate, Jules num caminho mais perigoso, Rue aparentemente mais estável, mas a gente não viu o jogo acontecer. E aí tudo parece meio solto. Tem conceito, tem uma imagem forte, tem situações que chamam atenção, mas ainda falta a conexão que faz tudo se conectar de verdade. 

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