Nesta última quinta-feira (26), estreou na Netflix uma nova série, com um trailer que não revelava muito (o que me deixou, obviamente, obrigada a passar minha noite em uma maratona que foi até as 4 da manhã).
O que me prendeu a princípio foi a trama, apesar de ser uma história já vista em muitas produções (um casal que viaja para a casa da família de um deles e lá descobre que algo não está definitivamente normal). A história conseguiu se diferenciar — aqui, a personagem principal não é uma mocinha completamente indefesa e ingênua: ela pensa, reclama e questiona tudo. Acompanhamos a chegada do casal à casa de campo (simples) da família do noivo, onde a noiva conhece todos — mãe, pai, irmãos, cunhada e sobrinho. Tudo acontece exatamente como temíamos: conversas estranhas, olhares suspeitos e um clima de estranhamento geral. Passamos os primeiros dias com eles na casa, entendendo (ou tentando entender) as dinâmicas e nos tornando cada vez mais desconfiados.

Em algum momento, há uma reviravolta na história, o que poderia diminuir muito a qualidade da trama, mas que, de alguma forma, dá muito certo. A história se organiza, se intensifica e, o melhor de tudo, na minha opinião, não deixa pontas soltas. Você não fica muito tempo perdido, tentando entender o que está acontecendo. É um mistério que sabe a hora de se explicar. Se você gosta de histórias não muito óbvias e de um bom suspense, a estreia de “Algo horrível vai acontecer” na Netflix é o evento que você estava esperando. A série nos faz sentir um nível de desconforto que poucas produções conseguem atingir.
A Estética do “Errado”
O que mais impressiona de imediato é a escolha estética. Esqueça sustos fáceis (jumpscares) a cada cinco minutos. Aqui, o horror é construído no vazio e no silêncio. A série utiliza uma linguagem visual que remete a arquivos perdidos e gravações domésticas, criando aquela sensação angustiante de que estamos sendo voyeurs de algo que não deveria ter sido registrado. É o cotidiano invadido por algo profundamente “errado”.
O medo do que não vemos.
A série brilha ao trabalhar com o conceito do Uncanny (o estranho). Ela pega situações que deveriam ser familiares e as distorce minimamente, o suficiente para que seu cérebro dispare um sinal de alerta. É um terror cerebral, que brinca com a nossa percepção e com a expectativa de que o pior está prestes a acontecer (como o próprio título já avisa).
O “Plot Twist”: Uma Mudança de Eixo (Sem Spoilers!)
Sobre a reviravolta que todos estão comentando: ela é magistral porque não se baseia em uma revelação mágica, mas sim em uma mudança de perspectiva. Sem entregar nada, o que posso dizer é que a série te treina para olhar em uma direção, enquanto a verdadeira ameaça está sendo tecida em outra camada, bem debaixo do seu nariz.
Quando as peças finalmente se encaixam, você percebe que cada detalhe aparentemente aleatório dos episódios anteriores tinha um propósito cruel. É o tipo de final que te faz querer assistir a tudo de novo imediatamente para ver o que você deixou passar.
Meu veredito
”Something Bad Is Going to Happen” é um suspense psicológico cru e minimalista, corajoso por confiar na inteligência e na paciência do espectador, criando tensão de um jeito incrível. A série te surpreende de maneiras inteligentes. Se você busca algo que fuja dos clichês do gênero e te deixe com aquela sensação de “olhar por cima do ombro” depois que a tela fica preta, eu recomendo que você aproveite seu final de semana para assistir.


Laura Fialho
Jornalista em formação, cultura pop na veia! Entre o universo geek e a próxima playlist favorita, transformo curiosidade em conteúdo. Se tem uma boa história envolvida, eu estou escrevendo sobre ela.